Simplicidade? Pra que?

Me lembro da primeira vez em que mostrei um arquivo csd [Arquivo do CSound Unificado] para um colega. Era um simples arquivo com um único instrumento contendo somente um oscil e na score a Song of Time do Zelda [sim, sou um viciado em Zelda e acabo de zerar o Majora’s Mask de novo]. Pensei que ele ia entender a “grandeza” daquilo, afinal, qual é a linguagem que cria som de maneira tão fácil como aquela? A resposta que obtive, no entanto, não poderia ser mais desanimadora: “Todo esse código só pra gerar isso?”

ISSO?? ISSO era nada menos que uma hiper-música gerada por um COMPUTADOR, será que ele não entendia? Resolvi então acreditar que ele não tinha conhecimento o suficiente para apreciar algo tão avançado diferente como aquilo, e tive a certeza que se eu mostrasse para meu orientador, ele acharia aquilo demais, pois já havia comentado sobre o CSound comigo, embora ele mesmo nunca tivesse sequer visto uma linha de programação.

Então fui falar com meu coordenador. Marcamos um dia e lá vou eu com minha Song of Time de novo. Particularmente, sempre gostei de códigos complicados. Sempre abominei a simplicidade do Clipper e exaltei o monte de “abre-e-fecha-chave” do C. Assim que abri o csd, esperava uma reação de “ohhhh” na cara do meu orientador, mas o que tive foi um “hã??”. Nada poderia ser mais decepcionante. Será que nem ele conseguia entender quão maravilhoso era aquilo? Aqueles códigos “malucos” geravam música, Sir!

Foi aí que conheci [na verdade resolvi conhecer] o Python. Eu já sabia de sua existência antes, mas só de falar em linguagem de script eu tinha um embrulho no estômago. Nesse momento, vi que todos os meus paradigmas que eu carregava desde o técnico em informática iam caindo. Para que ter uma linguagem fu**** se o programador acabava se perdendo no meio dela? Percebi, então que qualidade não tem NADA a ver com complexidade. São conceitos diferentes, sem nenhuma relação.

Então surgiu a idéia do pyMusic, que na verdade eu queria chamar de pySound mas já há um projeto nesse sentido. A idéia é simples e chega a ser ridícula: A simplicidade do Python com a complexidade do CSound. Misture tudo e teremos uma pseudo-linguagem [vou insistir nesse termo, não é a intenção criar uma nova linguagem, mas aproveitar o que ambas têm de melhor] interativa, de sintaxe simples e ao mesmo tempo poderosa, capaz de agradar tanto os que nunca viram um “treco” desses na vida quanto os que já são “velhos de guerra” nessa brincadeira.

Mas aí me veio um questionamento: por que fazer uma linguagem simples? Só pra dizer “todos podem programar sons”? NÃO, não era essa minha intenção. Esse questionamento ficou por muito tempo, até ontem, quando fui lavar o banheiro de casa. Desde que mudei de cidade e não tenho mais os milagres da comida feita e da cama arrumada, aprendi a me virar. Mas ontem algo de especial aconteceu. E se o banheiro tivesse um simples método .clean() ? Pode parecer idiotice… e é. Mas tranportando para o CSound, não seria mais fácil montar um acorde usando um .chord(cifra) ? Ou um cluster usando .cluster(nota_inicial, nota_final) ? A resposta estava ali… Facilidade gera agilidade. Deixaria meu código mais limpo também… tudo mais .clean() [piadinha infame o/]

Foi assim que tive a resposta. Para que uma linguagem de programação para áudio mais fácil? Para lavar o banheiro mais rápido!

4 Responses to “Simplicidade? Pra que?”

  1. imobi Says:

    hey…

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  2. \ Says:

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